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Aceitabilidade

A aceitabilidade diz respeito à satisfação demonstrada por usuários, e pela comunidade de um modo geral, em relação aos cuidados ofertados pelos serviços de saúde. Conforme salientam Becker & Maiman (1975), a concepção patient acceptance (aceitação do paciente, aceitabilidade) está vinculada à de compliance (adesão), uma vez que é da aceitabilidade que decorre a adesão ao tratamento.

De um modo geral, a literatura médica que versa sobre aceitabilidade reconhece que as estimativas do indivíduo sobre a vulnerabilidade pessoal ao agravo, a severidade (seriousness) do agravo, o agravo em si, a  confiança na eficácia do cuidado, as motivações em relação à saúde, a percepção dos custos psicológicos e monetários da conduta recomendada, bem como vários aspectos da relação médico-paciente e a influência social são os elementos que devem ser mais explorados.

Assim, os trabalhos têm procurado evidenciar as variáveis psicológicas, sociais e culturais que interferem, de forma consistente, na adesão de pessoas e/ou grupos a tratamentos e a comportamentos saudáveis. No âmbito desta produção, há trabalhos sugestivos da influência de fatores culturais na relação entre médico e paciente, como é o caso de Berlin & Fowkes (1983), e na aceitação de screening de câncer de colo e reto, caso de Taskila et al. (2009)

No entanto, as remissões mais frequentes ao tema da aceitabilidade detêm-se nos aspectos de dor e desconforto no tratamento/procedimento, tolerabilidade e efeitos colaterais do tratamento, e problemas envolvidos no uso de algumas das tecnologias médicas. Nesta linha de enfoque situam-se trabalhos importantes como, por exemplo, Lefere et al. (2002), sobre procedimentos prévios à realização de colonografia para a detecção de pólipos; de Marchisotti et al. (2007), sobre o tratamento da deficiência do hormônio de crescimento (GH) em crianças; Svensson et al. (2002), sobre a aceitabilidade de distintas técnicas para a realização de colonografia; e o trabalho desenvolvido no Brasil por Milech et al. (2000), sobre nova técnica de administração de insulina.

Outras variáveis presentes na literatura sobre aceitabilidade são representadas por Lüderitz et al. (2006), que, além do aspecto técnico da implantação do desfribilador cardioversor em taqui-arritmias ventriculares, consideram o tempo de hospitalização, as mudanças no estilo de vida decorrentes do procedimento e, finalmente, suas complicações; e McMahon et al. (2000), que incluem a mudança na qualidade de vida como critério de aceitabilidade do uso do citrato de sildenafil para o tratamento da disfunção erétil.

Neste quadro, a visão mais abrangente e pertinente de aceitabilidade é a postulada por Donabedian (1990). Para este autor, a aceitabilidade refere-se à adequação dos cuidados em relação aos desejos, às expectativas e aos valores das pessoas e suas famílias, e, nesse sentido, é um conceito que engloba categorias como acesso, respeito aos direitos dos pacientes, aspectos ligados ao conforto, informação sobre as alternativas de tratamento e o valor a ser desembolsado em relação aos benefícios que serão obtidos. Donabedian sugere a utilização do termo legitimidade para definir a aceitabilidade do cuidado pela população. A este respeito, vale lembrar o ponto levantado por Vuori (1991), para quem a aceitabilidade contempla não apenas a aceitação por parte dos pacientes que experimentaram determinados tratamentos, mas a de seus potenciais usuários.

Na Austrália, o AIHW não trabalha com a subdimensão de aceitabilidade. Para o CIHI, no Canadá, aceitabilidade significa que o cuidado e o serviço providos no sistema de saúde devem estar de acordo com as expectativas do cliente, da comunidade, dos provedores, e das organizações pagantes.

A JCAHO (1993) adota a mesma postura, ou seja, para esta Comissão, a acessibilidade também se refere ao grau com que os cuidados prestados atendem as expectativas da clientela, da comunidade, dos prestadores e das organizações pagadoras.

No PROADESS, a aceitabilidade diz respeito ao grau com que os serviços de saúde ofertados estão de acordo com os valores e as expectativas dos usuários e da população.

Referências:

- Becker MH & Maiman LA (1975). Sociobehavioral determinants of compliance with health and medical care recommendations. Med Care. 13(1):10-24.
- Berlin EA, Fowkes WC Jr (1983). A teaching framework for cross-cultural health care. Application in family practice. West J. Med, 139(6):934-8.
- Taskila T, Wilson S, Damery S, Roalfe A, Redman V, Ismail T, Hobbs R (2009). Factors affecting attitudes toward colorectal cancer screening in the primary care population. British journal of cancer, 101(2):250-5.
- Lefere P, Gryspeerdt S, Dewyspelaere J, Baekelandt M, Van Holsbeeck MD (2002). Dietary Fecal Tagging as a Cleansing Method before CT Colonography: Initial Results—Polyp Detection and Patient Acceptance. Radiology, 224(2):393-403.
- Svensson M, Svensson E, Lasson A and Hellstrom M (2002). Patient Acceptance of CT Colonography and Conventional Colonoscopy: Prospective Comparative Study in Patients with or Suspected of Having Colorectal Disease. Radiology 222:337-345.
- Milech A; Silva M; Zagury L; Ferraz I; Correia A; Niclewicz E; Ataide R; Fadlo F. Filho; Pascalli P; Falcão E; Kayat M (2000). Aceitabilidade e Funcionalidade de Uma Nova Caneta para Administração de Insulina (Humapen®): Experiência Clínica em Pacientes Brasileiros. Arq Bras Endocrinol Metab,  44(6):519-522.
- Lüderitz B, Jung W, Deister A, Marneros A, Manz M. (1993). Patient Acceptance of the Implantable Cardioverter Defibrillator in Ventricular Tachyarrhythmias. Pacing and Clinical Electrophysiology, 16: 1815–1821.
- Mcmahon C, Samali R, Johnson H(2000). Efficacy, safety and patient acceptance of sildenafil citrate as treatment for erectile dysfunction.The Journal of Urology, 164(4):1192-1196.
- Donabedian A (1990). The seven pillars of quality. Archives of Pathology Laboratory Medicine, 114 (11): 1115-8.
- Vuori H (1991) A qualidade da Saúde. Divulgação em Saúde para Debate, 3:17-25.
- Joint Comission on Accreditation of Healthcare Organizations - JCAHO (1993). The Measurement Mandate – on the Road Performance Improvement in Health Care. Chicago IL, Department of Publications, 53p.

Indicadores de desempenho referentes à sub-dimensão: Aceitabilidade.

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Fonte

Para medir os aspectos da aceitabilidade implica na realização de estudos amostrais diretamente com os com usuários

No aspecto satisfação talvez seja possível usar alguns inquéritos que o MS realizou

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