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Condições de Saúde da População

O estado de saúde da população é uma das dimensões fundamentais na compreensão e análise do sistema de cuidados à saúde. Os serviços de saúde constituem um dos determinantes do estado de saúde, enquanto representam também uma resposta socialmente organizada ao estado de saúde prevalente.

Para Castellanos (1997) o campo da situação/condição de saúde incluiria “tanto os perfis de necessidades e problemas como as respostas sociais organizadas frente aos mesmos. Da interação entre ambos resulta um conjunto de fenômenos (aparentes) que é conhecido, em geral, como perfil de morbimortalidade, incapacidades e insatisfações, conjunto que constitui a parte emergente e visível, ao nível fenomenológico, dessa estrutura latente que é o complexo de necessidades, problemas e respostas sociais.” Entendendo que a situação de saúde expressa, ao nível individual e coletivo, o processo de reprodução social, o autor conclui que, correspondendo a cada momento reprodutivo do processo de reprodução social, as necessidades de saúde poderiam organizar-se em necessidades predominantemente biológicas, ecológicas , de consciência e conduta ou econômicas.

Essa dimensão é vista principalmente pela OMS e pela OECD como elemento fundamental de avaliação de desempenho dos sistemas de saúde, dada a importância atribuída por esses organismos ao impacto do SS sobre as condições de saúde da população. Já com relação aos países analisados, sua inclusão nos “dashboards” se daria pela necessidade de simultaneamente avaliar o desempenho do sistema de saúde e monitorar as condições de saúde (Canadá), ou principalmente por esse último motivo (EUA).

A dimensão do estado ou condição de saúde passa a ser concebida como constituída por sub dimensões, que respondem ao avanço e complexidade do conceito de saúde, e essas subdimensões se expressariam em diferenciados indicadores e métodos de mensuração da saúde-doença

Em todos os casos analisados, seja nos países que têm seus marcos conceituais apresentados em formato de painel de controle, como também no caso do NHS, essa dimensão engloba aspectos referentes à morbidade, funções humanas, bem-estar e mortalidade.  As distinções correm por conta de que alguns indicadores podem estar incluídos em subdimensões distintas. Além disso, muitos deles também são utilizados como indicadores de outras dimensões (desempenho do sistema de saúde), como se verá mais adiante.

Autores têm diferenciado entre as medidas de quantidade de saúde e as de qualidade (goodness) de saúde (Brock, 2002; Broome, 2002).  Também diferenciam entre indicadores de saúde de populações e indicadores de saúde de pessoas e entre medidas de qualidade de vida versus instrumentos para medir qualidade de vida em saúde (McDowell & Newell ,1996).

Instrumentos que medem dimensões específicas da saúde, especialmente a saúde mental também são utilizados nas avaliações de estado de saúde. Por exemplo, o SRQ 20 permitiria avaliar o percentual de pessoas livres de distúrbios psiquiátricos menores, ou mesmo trabalhar com um escore médio da população (WHO,1994). Este instrumento desenvolvido sob patrocínio da OMS vem gerando várias publicações brasileiras (Ludemir & Melo Filho, 2002). Trata-se de questionário reduzido, com pequeno tempo despendido em sua aplicação e que poderia ser utilizado em um futuro inquérito de abrangência nacional no Brasil.